“Imagens que machucam”: Quilombo Rio dos Macacos sob fogo da Marinha do Brasil – circule as imagens pelo país pra denunciar violação dos direitos humanos

Esse conjunto de imagens foi tirado na noite do dia 28 de maio, quando, depois de apelos desesperados, lideranças de movimentos sociais e pessoas solidárias ao Quilombo Rio dos Macacos (Simões Filho BA)  se dirigiram pra lá. A Marinha estava fortemente armada no Quilombo como reação à reforma de uma simples casa ameaçada de cair pelo impacto das chuvas que afetam Salvador.  Aqui é o retrato não apenas de um conflito pontual e menor. Trata-se de décadas de violências de toda ordem, que certamente já deixa sequelas irreparáveis na memória daquela comunidade e fere o estado brasileiro, como o sistema colonial escravista feriu. Rio dos Macacos não está isolada, em todos os estados do país, inúmeros conflitos atormentam a população pobre, principalmente negra e indígena. O desafio lançado é circular o constrangimento dessas imagens pelo país e fora dele, com caráter de denúncia e chamar a atenção da sociedade, por que os governos e políticos sabem de tudo o que está acontecendo e são inoperantes e irresponsáveis, apenas a sociedade e sua capacidade de revolta e levante pode mudar o estado das coisas desse mundo perverso

As chuvas que caíram nas últimas duas semanas derrubaram várias casas no Quilombo. A Marinha proíbe que sejam recuperadas suas estruturas. Por favor, alguém defina Estado de Direito. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

Defina Estado de Direito, por favor. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

A moradora em dia de chuva não dorme… senta-se na beira da cama com suas três filhas e afirma chover mais dentro de casa do que do lado de fora. Reformar as goteiras / cachoeiras, segundo a Marinha do Brasil é crime, por tanto, proibido. Defina Estado de Direito, por favor. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

Acampamento que estava sendo armado para os fuzileiros permanecerem no Quilombo. A defensoria chegou e negociou sua retirada que só aceitou com o compromisso da comunidade não reformar as casas. Os moradores devem então esperar a casa cair por cima deles ou eles devem agora morar nas árvores?

#sejaquilomboriodosmacacosvctb : ‘A nossa honra tem que ser lavada’. Sim, nós também somos Quilombo Rio dos Macacos. Que esse sorriso simbolize nossa vitória.

Violação do Direito Universal de Moradia. Mas nesse caso é uma moradia que nunca foi nem concedida, nem protegida pelo Estado. Essa moradia é sinonimo de resistência, mas tem as fragilidades da escassez de recursos pra construção… a comunidade é impedida de manter seu abrigo de pé: Defina Estado de Direito, por favor. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

Como conceber crianças que vivem desde o nascimento com fuzis em seu cotidiano? com o Estado agredindo, violentando e apavorando a existência de sua família por décadas… e se fosse seu filho? Defina Estado de Direito, por favor. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

Defina Estado de Direito, por favor. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

Sem direito a morar, sem direito a plantar, sem direito a estudar, sem direito a ir e vir, sem direito a água e luz, sem direito a cercar sua área para proteger a plantação dos animais soltos… Defina Estado de Direito, por favor. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

Defina Estado de Direito, por favor. #sejaquilomboriodosmacacosvctb

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Sobre jornalori

Jornal comunitário que começou seus ensaios em 2009, de forma bastante tímida e amadora. O Jornal Itacaré Mostra sua Cara, não conseguiu a cara que se desejava. Faltava uma dinâmica, não existia uma equipe, o orçamento era escasso. Em 2010, a Oficina de Jornalismo Comunitário conseguiu reunir duas turmas de jovens e adultos com uma dinâmica de aulas de fotografia, redação, edição de texto, técnicas de entrevista e blogagem. O desafio era conseguir preparar as pessoas para a prática do jornalismo comunitário, fosse pra escrever no nosso jornal, fosse para escrever em qualquer jornal, ou criar um. A ausência de um veículo de comunicação com qualidade no nosso município sempre foi um elemento inquietante em todas as pessoas envolvidas nesse trabalho e o Itacaré Mostra sua Cara não conseguiu amenizar essa inquietação. Na sequencia da oficina, conseguimos compor uma equipe redação que se sucedeu em 2011, à aprovação do Projeto “O Direito é Humano”, do Fundo Brasil de Direitos Humanos e as oficinas com software livre para edição de imagens e diagramação através da Rede Mocambos. O Jornal Orí, em sua primeira edição com esse nome, traz esse histórico de um processo aprendizado comunitário que tem muita relação com os princípios de “escola aberta” e “conhecimento livre” que também é princípio da Casa do Boneco de Itacaré. Apesar da iniciativa ter nascido na Casa, ela não é “da Casa”, mas se trara de uma ferramenta colaborativa desde que não fira com os princípios da construção e existência desse jornal. Ou seja, continuamos abertos para outros escritores, para somar a nossa equipe de redação, ou simplesmente para o começo de um aprendizado. Durante 8 meses, o nosso Orí vai priorizar o direito à Saúde da População Negra e outros direitos públicos indispensáveis. A escolha versa muito sobre a realidade de descaso e abandono desses direitos para a população negra em nosso município.
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3 respostas para “Imagens que machucam”: Quilombo Rio dos Macacos sob fogo da Marinha do Brasil – circule as imagens pelo país pra denunciar violação dos direitos humanos

  1. QUILOMBO RIO DOS MACACOS: Tivesse, em 1910, João Cândido, disparado seus
    canhões contra o palácio do governo no Rio de Janeiro, e a historia seria outra.

    O comando e a instituição Marinha do Brasil, tão engrandecida pela luta de João Cândido e seus inominados companheiros, pelo fim dos castigos corporais e a valorização humana e do soldos dos praças, continua elitista e imperial, depois do assassinato por sufocamento premeditado de todas as lideranças da Revolta da Chibata, e o assassínio histórico moral da dignidade do seu principal líder, o Almirante Negro João Cândido, em vida, desqualificando-o durante décadas com o desprezo e a pobreza. Hoje a marinha utiliza-se de jovens negros para fazer Terrorismo à população pobre, negra e quilombola nas imediações de Salvador, no estado da Bahia.

    João Cândido Felisberto, grande herói negro, valente e sensato, antes tivesse disparado aqueles canhões sobre a sede do governo do Rio de Janeiro – por certo, a historia do Brasil, e de seu povo hoje seria outra. Todo o acordo com os revoltosos foram descumpridos pelo governo e pelas elites politicas de então, e a Guerra covarde e não declarada, com a participação das forças armadas e as as policias do estado, que começou na guerra do Paraguai segue hoje, mais do que nunca, promovendo o genocídio da gente negra brasileira, como aponta o Mapa da Violência -através do extermínio da juventude negra.

    Os “Valorosos”, anti-povo e anti-nacionais, seus comandantes, escalam para essa confrontação, nada mais, nada menos, do que jovens negros (condenados ao serviço militar obrigatório), para atemorizar e reprimir sua própria gente, igual na cor, na historia e na miserável opressão a que estão submetidos os negros baianos e brasileiros. A foto do soldado com fuzil à frente do garoto ferido na mão, pela a ação da marinha, nesta segunda feira no Quilombo rio dos Macacos, é o fragrante desrespeito humano, pátrio e constitucional dessa realidade contraditoriamente forçada.

    Jovens militares, lembrem Malcolm X, neguem-se a cumprir ordens que não dignifiquem e não é papel dos soldados da marinha, exercito ou aeronáutica: Fazer guerra e terrorismo contra seus irmãos, cumprindo papel de policia. Preferindo honrar mãe, pai, irmãos de miséria e concidadãos, do que violentar os mesmos. Estas, não são funções constitucionais das forças armadas, a defesa da integridade do território nacional. Reginaldo Bispo, militante negro, contra a injustiças e pelo socialismo.

  2. Consuelo disse:

    Esse Crime Já Tem HORA E DIA PARA SER DENUNCIADO PARA O MUNDO!!!!

  3. Pingback: A sinaleira, o não sonho e os naval | Lei dos Homens

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